Acácias errantes, acácias infestantes: notas sobre a ascensão e queda de uma utopia florida

Manuel Miranda Fernandes

Focam-se neste artigo alguns aspetos críticos, subjacentes à mudança de atitudes perante a presença de acácias australianas em Portugal, desde meados do século XIX até à atualidade. Examina-se a introdução e difusão inicial destas plantas, devida ao seu cultivo ornamental, e a sua disseminação utilitária, como fonte de matérias-primas, até à emergência de um discurso que considera estas plantas como “invasoras”. Assinala-se a ineficácia das tentativas de controlo e propõem-se caminhos de saída para os paradoxos atuais, procurando soluções mais adaptativas, no contexto de um processo de transformação das paisagens marcado pela incerteza ambiental.